domingo, 22 de novembro de 2009

Medos



Quando criança eu tinha medo de quase tudo. Meus medos iam e vinham, dependendo da época do ano, dos amigos que estavam por perto, da quantidade de amor que eu sentia ser devolvida para mim.  Medo e amor eram variáveis dependentes e diretamente proporcionais, e, assim, quanto mais amor eu tinha, mais medo eu sentia. Medo de perder tudo. Ou de ser esquecida de repente.
Hoje muita coisa mudou e o medo foi dando lugar a uma certa coragem que nunca imaginei ter. Não tenho medo de tropeçar, nem de errar ou de cair. Não tenho medo da natureza, dos ventos violentos, do sol intenso, do desmatamento da amazônia ou do buraco na camada de ozônio. Tampouco tenho medo do homem, de suas invenções, de suas armas ou de suas guerras.
Um medo porém ainda permanece e faz com que eu me mova: tenho pavor da espera e de pensar "o que aconteceria se".

(foto: Maurício Gouveia)

2 comentários:

  1. Lembra daquela cena final de Stela? Já eu, tenho medo de quase tudo, principalmente do buraco na camada de ozônio!!!
    Achei interessantíssimo o lance do medo e do amor; imaginava eu que o medo seria menor quanto mais amor houvesse, porém... de fato... não há paz, se a espreita de uma perda ronda o tempo todo.
    E vem cá: os gatinhos são maravilhosos, né? Mas, felizmente, os três bichanos daqui não me desprezam... Só não gostam de ser pegos no colo, mas a Métis, que não é daqui, aceita um colo infinito.

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  2. Eu to com a Vivian: tenho medo de quase tudo.
    Adorei o texto.
    Imagino eu que medo e amor caminham juntos.

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