sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Simulacro de estrelas (homenagem a ana c. - 01)



Três horas e vinte e dois minutos depois de inúmeras deliberações desordenadas do pensamento. É uma noite sem carros, pedestres, nem vizinhos. É uma noite com perguntas tácitas e cismas absurdas. É uma noite ambígua e duvidosa porque absolutamente nada acontece por ausência de ímpeto. E nem as estrelas são ousadas o bastante para iluminar este estranhamento todo. É melhor deitar e dormir enquanto luzes artificiais tentam testemunhar cantos desabitados do país. E quem sabe encontram um breve acontecimento que quebre essa monotonia que a falta de audácia nos traz. Leio um poema da Ana Cristina C. e penso que eu também "preciso voltar e olhar de novo aqueles dois quartos vazios".
Como o arrependimento, a solidão é indefinível. Um espectro turvo. Um reflexo de uma vaga memória de algo que não temos certeza se aconteceu ou não. Qualquer coisa que existe e que deixa de existir ao mesmo tempo.
Recomeçar: é tentar entender como é andar em uma rua escura e vazia. Sem medo.

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