terça-feira, 17 de novembro de 2009

The very thing




Às vezes o imprescindível está bem na nossa frente, tão próximo e imediato que se torna confuso, quase imperceptível. Esquivo como um inseto que invade nossa casa de madrugada e não se permite mais seguir adiante. Permanece ali, nos importunando, como que acreditando em  sua indispensabilidade, enquanto nós, ignorantes dessa consciência desconhecida, queremos expulsá-lo a todo custo. Às vezes o imprescindível é apenas um dia de sol, depois de muitos de tempestades. Ou um mergulho na praia, um mate gelado, um passeio de montanha russa, um jogo de frescobol ou um sacolé de açaí. Outras vezes, o calor é tanto que tudo se quer é um temporal de verão. E a partir de então, só a chuva passa a ser necessária. Há ocasiões em que o silêncio é indispensável e em outros instantes precisamos de música alta, de modo que nem os pensamentos sejam distinguidos. Há momentos, e são muitos, em que precisamos de nosso melhor amigo. De outra forma, algumas vezes um inimigo passa a ser necessário, como um aprendizado de guerra, para que nossas convicções sejam fortalecidas. Em algumas oportunidades, é necessário olhar de frente. Em outras, de longe, de perto ou, talvez, de cabeça pra baixo. É preciso considerar a realidade de um ângulo incomum para tentar entender de forma exata tudo aquilo que é genuinamente necessário. Mesmo que seja por um breve instante apenas.

(ouvindo "The Very Thing" - Stars)

2 comentários:

  1. Penso: e quando esquecemos o imprescindível por anos? (Porque talvez haja imprescindíveis e imprescindíveis e eita palavra difícil de digitar!) Há um imprescindível de cada um (há?) e que, às vezes, fica lá, escondido, camuflado, empoeirado, soturno, melindrado, que pode voltar? Por que deixamos o imprescindível de lado, às vezes, anos e anos? Isso acontece???

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  2. Sim, exatamente! Acho que acontece. E acontece muito. Também acho que em cada época há uma necessidade precisa e urgente de algo. Mas esse algo às vezes foge ou se camufla e esconde, como você disse. Às vezes por ser algo muito simples, muito singelo. E passa pos nós despercebido ou esquecemos disso ou privilegiamos outra coisa que não nos é tão necessária assim. Procuremos, então...

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