quinta-feira, 29 de abril de 2010

Todas as pessoas do mundo



pessoas imprescindíveis
pessoas ocasionais
pessoas esquecidas
pessoas inesquecíveis
pessoas melancólicas
pessoas felizes
pessoas silenciosas
pessoas fotogênicas
pessoas musicais
pessoas cinematográficas
pessoas dançantes
pessoas engraçadas
pessoas sem-graça alguma
pessoas suaves
pessoas ordinárias
pessoas extraordinárias
pessoas eternas
pessoas doces
pessoas amargas
pessoas intrépidas
pessoas irônicas
pessoas primordiais
pessoas modernas
pessoas pós-modernas
pessoas desordenadas
pessoas planejadas
pessoas agressivas
pessoas fugidias
pessoas fugitivas
pessoas acanhadas
pessoas adoráveis
pessoas adoradas
as pessoas mais felizes do mundo.
às vezes de um tipo, às vezes de outro.
algum dia, para alguém.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Amanhecer



O primeiro post de 2010, exatamente 109 dias após o amanhecer fotografado acima.
Voltei a ler Ana Cristina César. Voltei a ouvir Van Morrison. Voltei a procurar fotografias para postar neste blog um tanto abandonado.
Tento apaziguar abelhas fugidias e me livrar de dezenas de papéis amassados, ingressos de cinema, panfletos publicitários de lugares que nunca fui e possivelmente nunca irei, cupons fiscais, formulários de promoções das quais jamais participei. 
Tento organizar essa bagunça que é viver.
Pondero planos, refaço sonhos, recrio bobagens inassumíveis, repenso resoluções e assumo pequenas revoluções. Na verdade, o tempo passa e pouca coisa muda.

Descubro que precisamos de algumas coisas bem básicas:
- uma vontade, mesmo que seja inatingível;
- firmeza, pra não se esconder por trás das maçantes obrigações do cotidiano; 
- uma perspectiva, de um próximo amanhecer.

E assim fazer pequenas coisas que espantem o tédio, tais como:
Nunca tomar nada como verdade absoluta. Aprender um pouco sobre o que se passa em uma guerra. Tentar pensar como alguém totalmente diferente.  Ver o  homem medíocre do prédio vizinho sair solitário pela madrugada, enquanto as luzes da favela ainda conseguem iluminar copacabana. Perceber suas feições, débeis e flutuantes. Vê-lo tristonho e taciturno atravessar a rua, olhar para cima e descobrir uma estrela no céu. Tão somente uma. Encontrar uma foto sem ter lembrança alguma de tê-la tirado.  Imaginar soluções para uma guerra fictícia.  Fotografar o amanhecer. Fotografar o anoitecer. Perceber que existem pessoas que sentem exatamente isso. O que estou sentindo neste momento. O que estou sentindo neste momento?

Que é necessário deixar de organizar, um pouco, a bagunça que é viver.


(foto: Carmen Molinari, no primeiro amanhecer de 2010)