terça-feira, 26 de julho de 2011

Memória


O tempo se fixa num ponto remoto, onde o olhar dela se perde à procura de um instante pretérito, de uma criança que já cresceu, de uma avó ainda viva, de um momento que se fingia duradouro. O tempo se fixa nesse ponto de impermanência da memória, onde tudo parece tão fugaz que chega a ser perfeito, porque recriado a cada novo instante. A reengenharia intensiva da memória.
O olhar se perde em crianças que já mudaram a cor dos cabelos. Em jogos nostálgicos de pião. Em palavras hipnóticas de uma verdade relativa. Em sonhos desfeitos por tropeços do acaso.
O olhar se perde e reconstrói novos acasos. Reconstrói, por vezes, o próprio desconhecido.
O olhar se perde ali, exatamente numa esquina da memória, de onde ela espera sair alguém que solucione a equação de um momento que imaginou ser eterno.

2 comentários:

  1. Adorei. "O olhar se perde... na esquina da memória" é lindo e linda a "equação de um momento". Inspiradíssimo esse pequeno texto.

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  2. Muito talentosa essa abelha

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