quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Os livros na estante


Os livros na estante já não tem mais tanta importância, a voz dele dizia na vitrola, e Alice discordava, titubeante, concentrada em si mesma, salvaguardando sua própria existência, obrigada a se manter de algum jeito compensada, razoável.
Por trinta segundos se faz um silêncio ensurdecedor e Alice pensa que será assim pra sempre. Sozinha, razoável, compensada, buscando qualquer acolhimento na sala repleta de objetos, inevitavelmente pensa em catalogar seus livros na estante, uma vontade interminável, resoluta.
Ou, diferentemente, sabe que isso é uma fuga. E foge de todas as sensações de perda de identidade, concretizando-se apenas em silêncio, silêncio e solidão.
Alice levanta e, em quarenta minutos, conta 735 livros em quatro estantes.

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